Amai os vossos inimigos

Amai os vossos inimigos

Clark Ruper | 20 de agosto, 2017

Pixabay

Quando estava na faculdade, meu principal motivador para o ativismo era a raiva. Não, isso não descreve com muita precisão a minha mentalidade na época. Fúria provavelmente seria o termo mais preciso.

Eu era um libertário incipiente antes de haver qualquer impulso ou comunidade mais ampla por trás do termo. Educado por Rush Limbaugh, Ayn Rand e um grande senso de justiça advindo meu pai, eu estava convencido de que sabia a maneira como as coisas deveriam ser. Qualquer pessoa que discordasse de mim era um preguiçoso covarde, na melhor das hipóteses, na pior, um comunista enrustido.

E, puxa vida, já houve muitos deles na Universidade de Michigan. Famoso por ser um celeiro, em 1960, de radicalismo e elitismo progressista desde então, não houve falta de motivos para a minha ira juvenil em Ann Arbor. Eu lia o editorial do Michigan Daily e, como eles pregam um clichê socialista após o outro, em seguida,  eu rasgava o papel em pedaços e o jogava no lixo com indignada autoridade.

Cheio da confiança cega da ira. Eu ia a passos largos para fora no Diag, para encontrar o sabor progressista do clube do dia (estudantes pela liberdade e igualdade, grupos de ação afirmativa, preencher as lacunas da justiça, etc) e me envolver no que eu pensei no momento ser um “debate”. Minha estratégia era simples, gostava de demonstrar o absurdo de suas posições (você não vê que toda a ação do governo é roubo e escravidão !!!). Quando eles discordavam eu simplesmente aumentava meu volume e minha indignação. Certamente conseguiria ter algum sucesso…

Minha incapacidade de converter as pessoas e o isolamento geral dos libertários nos dias anteriores à campanha de Ron Paul só reforçaram a minha mentalidade. Quanto mais idiotas estatizantes discordavam de mim, mais provas eu tinha de minha própria posição. À medida que aumentasse a necessidade de mais ativismo indignado.

O amor me ajudou a convencer mais pessoas 

Avançando rapidamente quase uma década, eu brinco que meu antigo eu nunca seria aceito na liderança dos dias de hoje do SFL (inclusive você pode se inscrever clicando aqui). Eu quebrei cada uma das regras de comunicação e de conversão que nós ensinamos hoje:

  1. Ser amigável;
  2. Assumir as boas intenções dos oponentes;
  3. Se dedicar à forma mais generosa da tese;
  4. Sorrir e manter-se positivo: sempre está se apresentando para o público ao seu redor e não para bater em seu oponente.

Levei muito tempo para perceber essas lições, e só foi possível através de uma grande dose de tentativa e erro (ênfase na parte de erro). Tenho sido abençoado ao longo dos últimos anos por conhecer inúmeras pessoas mais inteligentes do que eu, provando que eu não tenho todas, nem mesmo algumas, das respostas.

Trabalhar para construir coalizões sobre o espectro político tem me mostrado o quão bem intencionado meus adversários intelectuais são, como seus próprios valores e experiências de vida moldaram sua visão de mundo, forçando-me a refletir sobre minhas próprias influências e abordagem para interagir com o mundo.

Felizmente eu tenho uma lembrança constante deste velho adesivo preso na parte de trás de uma placa “pare”, pois cruzo com ele independente do sentido que escolher para ir ao escritório do SFL, ao passar pela vizinhança de Petworth.

A raiva me fazia mal

Não só a minha raiva era contraproducente em termos de conquista de corações e mentes, como também era autodestrutiva.

A raiva fez mais para destruir a mim mesmo do que para derrotar meus inimigos. Lembro-me de meu passado, de acordar no meio da noite para escrever cartas ao editor respondendo à estupidez do dia, sem conseguir dormir por causa das injustiças que eu absolutamente tinha que corrigir.

Essa atitude criou o reforço de um ciclo de negatividade: a minha raiva a partir de pensamentos negativos levava a palavras negativas e a ações negativas para buscar mais conflitos e recomeçar novamente. Muito saudável.

Eu sou grato por este adesivo rasgado ter sido colocado no meu caminho diário a pé. Eu não posso garantir, mas acho que não foi um acidente. É um lembrete constante de minhas loucuras do passado e um desafio para compensar todos os dias. A resposta à injustiça não é a raiva, mas o amor. Não devemos odiar os nossos adversários, mas amá-los com todas as fibras do nosso ser. Eles nos dão o propósito e a chance de superar nossos preconceitos.

Algumas pessoas podem ter a reação de perguntar como eles podem ou devem amar desta forma. O amor não é uma relação pessoal entre os indivíduos? Um sentimento mútuo de respeito e comunhão? Ou do amor romântico entre duas pessoas?

Martin Luther King me ensinou o amor universal

Para todas essas perguntas o Dr. Martin Luther King Jr. tinha uma resposta. Muitas vezes ele observou que os gregos antigos tinham não uma, mas várias palavras para amor. Eros, ou amor romântico. Philia, fraternal ou amor de amizade. E Ágape, o amor universal:

Ágape é entendimento, criativo, redentora boa vontade para todos os homens. Teólogos bíblicos diriam que é o amor de Deus agindo na mente dos homens. É um amor transbordante que não busca nada em troca. E quando você  ama neste nível, começa a amar os homens não porque são simpáticos, não porque fazem coisas que nos atraem, mas porque Deus os ama e aqui nós amamos a pessoa que cometeu uma má ação enquanto odiamos o ato realizado. É o tipo de amor que está no centro do movimento que estamos tentando manter na Southland- agape .

É por isso que sou muito grato por fazer parte da comunidade Students For Liberty. Isolamento gera ressentimento. A comunidade que construímos através de nossos grupos de estudantes, fóruns e conferências cria um círculo de positividade que podemos capturar e trazer para o mundo.

Sei que tudo isso provavelmente soa muito enfadonho e desagradável, mas como eu recentemente mudei-me daquele bairro, frequentemente eu me pego refletindo sobre o adesivo. Como todas as boas lições precisavam ser aprendidas da maneira mais difícil e de novo e de novo. Eu sei que muitos outros estão lutando a mesma batalha interna, tentando conciliar suas frustrações e ânsia pelo bem com as injustiças do mundo. Eu só quero dizer a todos que há esperança.

Se você puder deixar ir a raiva do seu coração, o amor vai correr para preencher o vazio. O amor por seus inimigos pode trazer-lhe a paz interna e um brilho por fora. Como argumentei antes, trabalhar em política ou filosofia não é suficiente. Como Leonard Read ensinou, precisamos ser exemplos vivos das ideias que defendemos. Precisamos ser a luz na escuridão, um exemplo positivo do que a liberdade torna possível.


Clark Ruper foi vice-presidente e COO do Students For Liberty

Este artigo não necessariamente representa a opinião do SFLB. O SFLB tem o compromisso de ampliar as discussões sobre a liberdade, representando uma miríade de opiniões. Se você é um estudante interessado em apresentar sua perspectiva neste blog, basta submeter o seu artigo neste formulário: http://studentsforliberty.org/blog/Enviar

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